Um criador só faz aquilo de que tem absoluta necessidade. Essa necessidade — que é uma coisa bastante complexa, caso ela exista — faz com que um filósofo (aqui pelo menos eu sei do que ele se ocupa) se proponha a inventar, a criar conceitos, e não a ocupar-se em refletir, mesmo sobre o cinema.
É claro que os conceitos não se fabricam assim, num piscar de olhos. Não nos dizemos, um belo dia: “Ei, vou inventar um conceito!”, assim como um pintor não se diz: “Ei, vou pintar um quadro!”, ou um cineasta: “Ei, vou fazer um filme!”.
4 QUARTOS … ou um quarto de amor …
O curta “4 Quartos … ou um quarto de amor …” foi desenvolvido com base nas teorias filosóficas de Gaston Bachelard:
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“ Ao falar de poética do espaço Bachelard revela a intenção de dar à palavra a missão de elevar o objeto de sua análise, os lugares e os espaços, ao nível poético do devaneio. […] O autor mostra que há poesia nos principais espaços preferidos pelo homem. Na casa, no sótão, no porão. Numa simples gaveta. Num cofre. Num armário. Ele busca a poesia do ninho e da concha, do cantinho da casa, da miniatura, do grande e do pequeno, e sobretudo na imensidão íntima que ressoa em seu interior.”
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(BACHELARD, Gaston, 1976, A poética do Espaço in FERREIRA, João, 2005)
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Logo, o curta-metragem visa mostrar quatro pessoas totalmente diferentes, dentro de seus quartos, comentando e compartilhando experiências amorosas.
Não há ambiente em uma residência mais íntimo que o quarto. Dentro de um quarto, a pessoa tem total liberdade para construir, destruir, reconstruir, modificar e intervir de diversas maneiras no espaço criado.
O cômodo ‘quarto’ traz consigo uma carga psicológica que remete a segurança, aconchego, conforto, descanso.
Compartilhar experiências amorosas com outra pessoa é trazer esse ‘terceiro’ para um local totalmente íntimo, pessoal, é dividir experiências, espaço e sentimento.
A técnica cinematográfica adotada, é basicamente a mesma adota por Robert Bresson ( diretor francês, 1907):
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“Em Robert Bresson (diretor francês, 1907), caso bastante conhecido, raramente existem espaços inteiros. São espaços que podemos chamar desconexos. Há, por exemplo, um canto, um canto de um quarto. Depois vemos um outro canto, ou então um pedaço da parede. Tudo ocorre como se o espaço bressoniano se apresentasse como uma série de pequenos fragmentos cuja conexão não está predeterminada. Existem grandes cineastas que empregam, ao contrário, espaços de conjunto.”
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(DELEUZE, Gilles, 1987, O ato da Criação, pg. 5)
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Dessa forma, não são necessárias tomadas inteiras de um mesmo ambiente. De uma forma quase ‘cubista’ o espaço se mostra em diferentes fragmentos - estes, sendo modificações que trazem a carga psicológica de seu habitante.
“4 Quartos … ou um quarto de amor …” é um curta desenvolvido para o Trabalho Final de Graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNESP/Bauru.
Curta gravado!
Dentro de alguns dias: “Quatro qu4rtos ou 1/4 de amor
Curta: PIXELS de Patrick Jean
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Curta americano dirigido por Patrick Jean.
Interessantíssimo a maneira como o curta, mesmo que sem se aprofundar em questões arquitetônicas e urbanísticas, explora as características da cidade transformado tudo em game.
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Written, directed by : Patrick Jean
Director of Photograhy : Matias Boucard
SFX by Patrick Jean and Onemoreproduction
O real chegado ao espírito já não é o real. O nosso olhar é demasiado pensativo, demasiado inteligente.
Duas espécies de real:
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1-) O real bruto registrado tal qual pela câmera;
2-) O que nós chamamos real e que vemos deformado pela nossa memória e os falsos cálculos.
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Problema. Fazer ver o que tu vês por intermédio de uma máquina que não vê como tu vês. E fazer ouvir o que tu ouves por intermédio de outra máquina que não ouve como tu ouves.
O real não é dramático. O drama nascerá de uma certa conjugação de elementos não dramáticos.
Notes sur le cinématographe,
Gallimard, Paris, 1975
(in Estéticas do Cinema, Seleção, Apresentação e Notas de: GEADA, Eduardo; Publicações Dom Quixote, Lisboa 1985)

